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Enem: confira os filmes que podem ajudar na revisão para a prova

“O que eu posso propor a ele que não seja uma repetição do desastre escolar? Ele não gosta de ler, detesta esportes. O que ele gosta de fa...

“O que eu posso propor a ele que não seja uma repetição do desastre escolar? Ele não gosta de ler, detesta esportes. O que ele gosta de fazer? Gosta de ver filmes. Eu também”. A fala é do autor e personagem David Gilmour, no livro Clube do Filme. A obra, de 2007, narra a experiência de retirar o filho de 15 anos da escola, onde cursava o ensino médio e acumulava reprovações, sob a condição de verem três filmes por semana.

David foi radical. Mas a sua história é um exemplo de como filmes podem ser utilizados para educar. Essa, inclusive, é uma estratégia que inúmeros professores de colégios públicos, privados e de cursinhos pré-vestibulares adotam para que seus alunos compreendam melhor os temas vistos na sala de aula. A gama de referências cinematográficas é vasta. Com ajuda de professores, o CORREIO preparou um guia de dez filmes que o candidato pode usar para estudar para o exame (veja abaixo).

Atualidades

O professor de Português Evert Reis orienta os candidatos a focar nos filmes que discutem temas atuais como a cidadania e  tolerância à diversidade de gênero; movimentos sociais e história. “Getúlio é um exemplo que trata temas como  Estado Novo, jaguncismo e política do Brasil”,  diz.
 O diretor do filme, João Jardim, afirma que sempre se preocupou que a obra tivesse esse tipo de uso. “Todos os países contam a sua história através do audiovisual. O filme não fala da vida de Getúlio, mas de política; conta a história do Brasil”, enfatiza. 

Já o professor  do curso de Licenciatura em Geografia da Uneb Hanilton Ribeiro explica que os filmes são importantes por integrar múltiplas linguagens e sentidos na produção do conhecimento. Em um de seus projetos, o professor exibe filmes sobre Geografia para estudantes de escolas públicas.  “Sempre partimos dos aspectos e informações e conteúdos do filme para a construção do conhecimento (e nunca dos conteúdos para o filme, à medida que um dos objetivos é a construção do senso crítico dos alunos)”, explica.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, não divulga uma lista de filmes obrigatórios ou sugeridos para o teste que avalia grandes áreas como Ciências Exatas, da Natureza, Linguagens, Códigos e Redação. O instituto alega que não pode recomendar filmes ou temas a serem procurados, sob o risco de adiantar conteúdos que possam  cair nas provas.

Aprovada
Apesar de não ter um guia “oficial”, Jamile de Oliveira Gonçalves, 21, é estudante de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e no seu cardápio preparatório para o último exame esteve o documentário brasileiro O Dia que Durou 21 Anos, do diretor Camilo Galli Tavares. “Já ingressei em três universidades com o Enem. O conteúdo que eles cobram é conhecimento que você aprendeu ao longo da formação escolar. Os filmes ajudam bastante”, explica.

Na visão de Jamile, que está no segundo semestre, sequer foi preciso revisar o conteúdo didático em livros e apostilas. “A experiência dos filmes ajudou na construção de pensamento para as questões e para a redação”, conta.  Uma Mente Brilhante, Gênio Indomável e O Nome da Rosa figuram numa vasta lista que ela arquiva no computador. Boa parte, retirada das indicações ao Oscar e de guias de salas de cinema da cidade, conta.


Mostra
O professor de Redação do Instituto Social da Bahia (Isba) Daniel Rebouças, um dos adeptos do uso de  filmes no ensino, é responsável por uma mostra de filmes  que começou no último dia 13 e acontecerá a cada 15 dias, até novembro. O próximo encontro acontecerá no dia 27, no auditório do Colégio Isba, das 17h às 19h (inscrições pelo telefone 4009-2831).

Entre os temas da mostra estão Nazismo, Fascismo, 2ª Guerra Mundial, Ação da Igreja durante a Ditadura Militar e Anos de Chumbo. Segundo Daniel, é preciso entender o filme como produção artística sobre determinado período. “O filme é um mediador cultural sobre esse conteúdo. A gente não busca resposta. Às vezes, eles nos apresentam novas perguntas”, ressalta. 

Membro do Serviço de Seleção, Orientação e Avaliação  (SSOA), da Ufba, Carlos Lomanto explica que os filmes ajudam na assimilação de conteúdos. “Os filmes são importantes para contextualizar temas históricos e de literatura”, explica ele.  Após adotar o Enem em seu processo seletivo, em 2013, a Ufba extinguiu a segunda fase para a maioria dos cursos e a lista de filmes que eram cobrados na prova de Português. “Hoje, esses conteúdos são cobrados de forma subjetiva”, afirma Lomanto.
(correio)

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